Esta fora do meu domínio, é insistente, é tinhoso. Não sei dizer se é produto da angústia, se é fruto da minha efervescência ou efeito da chuva de estímulos, mas meus pensamentos não sossegam nem quando minhas pálpebras cansadas cedem carecendo de uma inatividade conveniente.
Há um tempo que tenho pensado a respeito do tempo. Tempo em todas suas dimensões. O tempo que passa, o tempo que fica, o tempo disponível, o tempo sem tempo, o tempo que nos deixou, o tempo que esta por vir. Não se controla, não se alcança, não volta, não anuncia, não tem pressa, porém chega. É uma reflexão intensa, profunda e penosa.
Hoje eu vejo um tempo que me rememora a estima pela prontidão, pela urgência e impaciência. Um tempo que fomenta a insuficiência sem fim. O tempo que promove a insatisfação eterna.
E eu não venho com qualquer solução, afinal o consumo nos engoliu. Sem chance de desbancar a frivolidade. Entre ser e ter, nós sabemos o desfecho. Passa o tempo e pouco muda, estacamos na falsa ideia da felicidade material. É o impasse que persiste:Ter tempo ou ter coisas.
Não é viável para todos, mas para tantos outros é questão de escolha. Eu pude escolher e escolhi o tempo, sabia decisão. Priorizei um sono até mais tarde, um café da manhã demorado, ostentar a pele enamorada do sol, aproveitar o ar gélido matinal, desfrutar do silencio, devorar livros, escrever, pensar, caminhar, viver de biquíni, almoçar em casa, cuidar de mim, deleitar-me em bons Podcasts, me entediar nas revistas filosóficas, apreciar o mar, contemplar o céu, o verde, o dia, saborear minha vida, deliciar-me com meu tempo.
E hoje, faz sentido quando um grande amigo me disse: rico é aquele que tem tempo.
Bem valioso, tão precioso. E eu farta, plena de tanto provar da vida.

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