Teoria do big deal. Ja ouviu?
Possivelmente não, uma vez que quem criou fui eu. Criação de meus próprios devaneios.
Quando pressionados pela vida a abraçar a maturidade mandatória desse mundo, não tem jeito, ou tu consente ou tu sente. É uma mera questão de perspectiva.
Crescer nunca foi uma tarefa fácil. Sábio conselho de mãe, assimilado fora de hora, que garantia: “aproveita enquanto tua única responsabilidade é estudar”. Ahhh como eu condenei esse discurso.
Então os anos vão passando, os estudos passam a ser bem quistos, o tempo fica escasso, as bolachas recheadas dão lugar a mísera porção de amendoins, a balança aumentando progressivamente, a pele de bebê denunciando o descomedimento do sol do meio dia, as despesas aumentando, o dinheiro desaparecendo…enfim, uma listagem assombrosa que me roubaria umas boas noites de sono.
Eis que vivendo há um tempo nas conjunturas mencionadas acima, depois de muito me desapontar com os improcedentes privilégios de ser “dona” da minha própria vida, me vi forçada a tomar uma atitude: fazer pouco caso dos infinitos afazeres desse mundo adulto. Provavelmente tarefa tão ou mais complexa do que ser gente grande, mas eu garanto, o saldo é positivo.
A teoria é simples. Difícil mesmo é pôr em prática, porém nada que a força do hábito não ajude.
É o seguinte: toda vez que te ver aprisionado a qualquer tarefa ingrata do dia a dia, terás que entregar-te a filosofia “sem big deal, no drama”. Por exemplo, de segunda a sexta tens que trabalhar certo? Isso seria uma realidade a ser questionada? Imagino que seja incontestável, portanto, a lamúria é inútil. E é essa regra que tem de ser aplicada a todos os outros cenários.
Toda vez que tiveres que ir à academia ao invés de liberar aquela bufada chata “aaah”, não deixe que isso entre em questão, não cogite, não pense, só vai. Toda vez que ver aquela louça aglomerada na pia, ao invés de queixar-se e proferir aquele dramático “porque porque”, lave, seque e termina logo com isso. Quando chegar o maldito dia de trocas de lençóis, toalhas, panos de pratos, tapetes, e todo resto que consiste em uma casa adulta, ao invés de dar seguimento aquele “aaah” o tornando ainda mais ensurdecedor, lave, pendure, despendure, dobre, guarde e pronto. Afinal, existe outro jeito? Eu desconheço. E já sabendo que existe uma tendência dessas atividades se agravarem expressivamente em um futuro não muito distante, não podemos consentir que esses “problemas” alcancem uma magnitude e tanta potência em nossas vidas.
A vida já se encarrega de contratempos. O mundo já transborda adversidade. Uma humanidade que já nem acredita. E eu pergunto: ainda vamos nos ocupar com tão pouco? Sem big deal e seja feliz!

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