Para não romper o arquétipo, é inelutável a minha repetição.
Eu repito, repito e repito, até repetir o que eu já havia repetido. Essa minha mania já despertou uma pratica de bullying na minha família. É uma pirraça prudente e consentida.
Muito provavelmente que a nossa benquista psicologia dispõe de interpretações que expliquem esse infortúnio e que muito mais provavelmente isso é culpa da minha mãe. Enfim, que a culpabilidade deixemos para lá, por que além de repetir eu também adoro procrastinar.
Eu já falei incontáveis vezes que o pior de ser adulto não são as contas a serem pagas, não são os lençóis semanais a serem lavados, nem as compras de supermercado meticulosamente elaboradas para nos pouparmos ao máximo de nos tornarmos frequentadores diários. Muito menos o enorme desgaste mental para definir o menu da semana.
Quando me vi “obrigada” a abandonar minha vida juvenil e todas as garantias, os privilégios e as exonerações que andam juntas, me esbarrei em um zona bem longe de ser confortável. E “ai” de quem dizer que é fascinante se aventurar na escuridão de um território desconhecido. Mas nada que não sejamos capazes de nos adaptar. Seja a imposição da vida, seja iniciativa própria, uma hora ou outra, o mundo maturado vai bater em sua porta.
Ainda que eu tenha resquícios infantiloides dentro de mim, já ta na hora de fazer acontecer, bancar as escolhas, arcar com as consequências e bater no peito diante de todas as decisões, sejam elas certeiras ou errôneas!
Há dois anos eu não tinha todo essa lucidez. A prova disso foi o carro de mais de 300mil km que comprei de um espanhol que nunca nem tinha visto. Durou o que durou. Foram dois anos de consideráveis despesas e mais uns bons apertos nessa estrada da vida.
A despedida do prezado e os $300 dólares que nos rendeu a venda para o ferro velho não foi o mais doloroso. Custoso foi ter de achar um carro novo com um capital minguado diante de tamanha impaciência e pretensão. Foram um mês de obstinação e de martírio. Cenário perfeito para aflorar toda minha necessidade de repetição e comprovar a minha teoria que gerenciar finanças é fichinha quando comparado a tomar decisões sem a garantia de mamãe.

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