Um gasto certeiro no nosso orçamento são as revistas dele de filosofia. A princípio confesso que me dá a maior preguiça de ler, eu tenho o meu tempo para me engajar. A questão é que já sabendo que no fim das contas eu vou gostar, a leitura acaba sendo uma imposição. “Vem cá que agora nós vamos ler um artigo”.
Naquele momento, após um dia inteiro na labuta, eu não queria esgotar o que restava dos meus recursos intelectuais para ler artigo em um inglês um tanto requintado. Com a condição de tradução espontânea, eu “li” o artigo. Ele sabia. Eu gamei. Eu gritei. Eu me exaltei.
Ah e como eu amo tudo que põe em movimento meu espírito frenético. E é tanto o estardalhaço que eu preciso escrever.
Eu vou me empenhar ao máximo para tentar minimizar qualquer possível plagio. Porém, a genia genialmente exprimiu exatamente o que eu já queria dizer há tanto tempo que eu já nem sei mais se não ela que é a plagiadora da minha ideia.
O tal artigo tratava-se então a respeito do utópico balance.
Eu confesso que essa epidemia de “equilibro na vida” nas redes midiáticas tem me deixado um pouco desequilibrada. Infelizmente somos inclinados a nos acomodar dentro dos moldes moldados inclusive por nós mesmos e agora é a vez de se equilibrar.
Somos bons em prontamente venerar os pouquíssimos – crédulos de que são em muitos – que aparentam pela tela do nosso celular uma vida harmônica sem falhas. Insistimos em acreditar que alcançando o ponto de equilíbrio vamos ser capazes de cessar o conflito eterno de nós com nós mesmos.
As dúvidas dela também são minhas e muito possivelmente devem ser suas. Nesse mundão doido, nessa nossa vida insana, como é que fomos chegar ao ponto em que qualquer fome desproporcional, qualquer inclinação ao excesso é entendida como uma falha moral?
Matutando essa nossa cultura da moderação dou-me por conta que na real mesmo ta tudo do avesso. A pergunta deveria ser outra: com a fúria dessa vida, a vicissitude, a fragilidade, a urgência, a constante mudança, como economizar nossa abundância? Como reprimir nosso montão?
A bagunça da vida não casa com o equilíbrio impecável. Mas se então fosse possível essa harmonia, não se engane, é ilusório, é temporário. A vida voa, as circunstâncias mudam, as pessoas mudam, o que elas querem também.
Não se chateie com seus excessos e exageros. Acolha suas manias que te tornam estranho, suas loucuras juvenis causadoras de inveja até nos próprios jovens, suas imperfeições que te diferenciam de todo o mundo que aderiu as feições das Kardashians, suas limitações que te obrigam a esbarrar em outras vielas, suas escorregadelas que te fazem lembrar o que é ser humano.
Abrace o caos. Eu te garanto, o encanto de viver é a fervura de uma vida sem frescura.

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