Já ouviu falar daquele ditado “pimenta nos olhos dos outros é refresco?”
Vai por mim, é conveniente entender.
É uma expressão usada diante da falta de empatia e respeito em relação ao sofrimento alheio. É pouco caso, é desdém, é frieza, é indiferença. Afinal, não é comigo.
Em minha opinião, um ditado que convém precisamente com a nossa sociedade egocêntrica. Um ditado que representa a todos nós, seres humanos, que não entendemos o conceito de solidariedade. Uma expressão que condiz perfeitamente com o momento atual em que vivemos. Afinal, se eu pegar o corona vírus “não vai dar nada”.
Teoricamente, estou a três semanas de voltar para casa. Em contagem regressiva desde setembro do ano anterior, quando comprei as passagens. O plano era ir em dezembro para juntar-me a família nas datas comemorativas mas com os preços exorbitantes para comer um peru, optamos pela sensatez e adiamos a ida para abril.
Adiamos sem nem sequer imaginar que estaríamos vivendo não um surto, nem uma epidemia, mas uma PANDEMIA – um conceito alienígena para mim até então. E caso ainda não esteja por dentro, uma pandemia é a disseminação de uma nova doença em escola global. Ou seja, é coletivo, é geral, é para todo mundo. Por isso, aconselho desde já a entender que essa pimenta vai arder para todos, e em todos.
O corona vírus é grave. Porém, quase tão grave quanto, é a falta de discernimento das pessoas. Isso, sim, me preocupa – um cenário alarmante e as pessoas omitindo a magnitude do problema. Muito possivelmente porque não seja o maior dos problemas para essas mesmas, mas já para tantas outras, o que resta é esperar que o bom senso dos mais indiferentes se manifeste. Eu me refiro aqui aos idosos, asmáticos, pessoas com doenças do coração, diabéticos, hipertensos…são essas pessoas que precisarão contar com o nosso cuidado.
É uma questão de responsabilidade social. É hora de se recolher, de se proteger, sobretudo protegermos uns aos outros. É o momento de assumirmos nosso compromisso diante a existência. É a desordem do mundo sinalizando mais uma vez que a humanidade suplica harmonia.
O mundo está em caos.
Deixe as festas para depois, é melhor quando se tem clima. Vamos evitar aglomerações em lugares fechados. Vamos abrir mão dos entretenimentos sociais e valer-se da família, muitas vezes deixada de lado, ocupar-nos dos nossos avós, que só tem espaço nos almoços de domingo, desfrutar dos livros negligenciados, aproveitar pra dar o check naquela lista de coisas a fazer em 2020, usufruir da própria companhia – algo desaprendido desde o princípio da internet – ou apenas aproveitar para sossegar a bunda no sofá, tenho certeza que pode brotar uma proveitosa reflexão.
Sinto em dizer – ou nem tanto – que esta em nossas mãos prevenir a expansão desse vírus. Não se limite a achar que o ponto da questão é álcool gel. É bem maior, mas tão mais simples: é a força da generosidade.
Por fim eu já não sei mais se vou voltar pra casa. Talvez tenhamos que adiar mais uma vez. Em tempos como esses, engraçado pensar que amor é distância.

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