Nesses dias chuvosos, tanto lá fora quanto aqui dentro, me dei por conta que estamos sempre numa busca incessante. Uma busca pelo certo. A procura de algo lá adiante.
Já faz um tempo que inseri em minhas manhãs, logo ao acordar, a meditação guiada. São 15 minutos de conexão com o presente momento, algo bem desconsiderado por nós, já que estamos sempre pensando pelo menos uma hora à frente, quando não no final de semana que está chegando, na semana seguinte, no mês que vai vir, nas próximas férias. E eu me pergunto, e hoje?
Hoje o que vejo sou eu e uma massa ocupando-se dos dias que ainda nem chegaram – claro que preocupar-se do porvir é necessário quando se fala de uma vida adulta, no entanto aqui me refiro a responsabilidades e deveres. Já o restante pode esperar a ordem natural das coisas, somado a uma pitadinha do acaso e do destino.
Existe uma ausência de contentamento cotidiano, do simples, do acessível. É um descaso com o dia-a-dia, onde os “pequenos” grandes feitos são esquecidos ou apenas entendidos como parte da rotina. E é pela falta de graça do dia corrente que não há sossego enquanto a linha da vida já não esta toda traçada. É isso que nós exigimos o tempo todo, sem nem nos darmos conta, que já tenhamos respostas quando se quer temos as perguntas.
Os poucos que se libertam do reportório estipulado, culpam-se por não estarem no caminho “certo”. E que caminho é esse, tão certeiro que seria capaz de levar todos a uma única possibilidade de felicidade plena?Tomara que um dia possamos entender que só é certo se está certo pra ti, e isso não abraça o mundo todo.
E não é que as palavras acima fazem tão mais sentido agora? Era mais um dos meus textos de análise e reflexão que havia deixado de lado. Era um desabafo cansado de tantas tentativas próprias, e dos próximos, de encaixar uns aos outros no modelo padrão – uma enorme deslealdade consigo mesmo.
Agora, no meio do caos, o mundo parou e estamos todos vivendo o mesmo dia. Ninguém na frente, ninguém atrás, tão pouco existe divisão.De nada adiantou acelerar a vida. O hoje que já não espera o amanhã, o amanhã que já não espera o seguinte, nem o seguinte o próximo, talvez agora seja contemplado. Talvez tudo isso seja a vida delongando, nos concedendo tempo pra viver, conviver, pra amar e se amar. Talvez, eu já não sei – nem eu nem ninguém – isso seja a vida nos sinalizando que o hoje é um dia a ser gratificado.

Publicado por