Eu realmente acredito que tem coisas que são universais. Sensações, sentimentos, pensamentos e certas vivencias que são partilhados por todas as pessoas. E em datas comemorativas é mais ou menos assim… mexe e remexe, revira do avesso todos nós.
Tenho certeza que eu não estou desacompanhada neste fenômeno de estremecimento, de balanço emocional, de burburinho íntimo, um verdadeiro rebuliço interno.
Um momento de enaltecer as coisas boas. Momento de dedicar-se a entender por que algumas coisas não deram certo. Momento de ponderar a razão de não ter levado tantas ideias adiante…É aquela velha prática de pesar a balança.
É também uma estação de comemoração. São dois meses de precipitação. A idade por vir já é tida bem antes da hora. No bendito mês, é pretexto de acontecimentos diários. Desculpa perfeita para envolver todo mundo.
Os amigos distantes, as vezes ausentes, revelam mesmo de longe, a camaradagem de uma vida. Paparicadas da mamãe. Mimos de papai. Afagos do maridão. E sem esquecer dos regalos. Uma excelente chance para recauchutar o armário das meias furadas.
Novamente vai ser um aniversario atípico. E aqui eu faço questão de reiterar minha concepção sobre a universalidade de sentimentos e acontecimentos. Passa ano e os aniversariantes sempre esbarram com o imprevisível: Acredite ou não, eu já fui afortunada a tal ponto de ter que ficar isolada, sem se quer receber um abraço e o pior, sem poder assoprar a minha velinha realizadora de sonhos em virtude de uma caxumba (ainda não existia corona vírus para nos lembrar que isolamento já faz parte dessa vida).
No meu tão esperado dia, o dia que eu tanto estimo estar rodeada pelos meus, vou estar meramente na minha companhia, do outro lado da Oceania. Evidentemente, que não estava em meus planos eu mesma ter que arrumar minha cama no único dia que eu me esquivo dessa tarefa ingrata.
Mas como todos nós sabemos, a vida é ”assim”: um momento, um instante, um susto. O dia que vai, o dia que vem. É a sensibilidade da existência. Bela na sua essência. Uma fragilidade da realidade.
E o motivo era maior. Os meus, abraçaram por mim. Este foi o meu melhor presente.

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