Andei conversando com a minha tristeza…
Pareceu-me razoável.
Confesso que a gente estava se desentendendo.
Eu queria mesmo é estar tagarelando com a felicidade, mas era a tristeza que estava se fazendo presente.
Pensei que se deixasse de tentar evita-la então, quem sabe não poderíamos nos entender melhor?
Pobre tristeza. Mania essa de tentarmos impedi-la. Não que ela seja bem-quista, mas a verdade é que ela é necessária. E mais verdade ainda é que ela vai estar presente em nossas vidas. Não adiante fugir pra Austrália, mudar para o litoral, ganhar um aumento, comprar um cachorro…ela vem junto e tá tudo certo.
Mania essa de ditarmos a felicidade eterna e encararmos a tristeza como algo de outro mundo. Acho que até faz sentido em tempos que ostentamos sorrisos disfarçados e é por isso que quem a sente se sente quase que um alienígena.
Mas é preciso “normalizar” a tristeza. Ela faz parte de uma vida feliz. É quando a gente a experimenta que a gente engrandece o avesso.
É aquela coisa da felicidade tirana e a gente nem se quer para pra pensar que a tristeza tem uma perspectiva evolucionista.
A tristeza é um dos raros momentos de reflexão que nos leva a querer fazer diferente.
A tristeza aproxima. Permite-nos crescer. Fortalece a espiritualidade. Desperta vínculos. Aviva elos. Traz autoconhecimento. Desperta.
E como é bom despertar, é quando passamos a olhar ao nosso redor e perceber todas as cores que contornam nossa vida.

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